Preço dos imóveis perde fôlego na capital

Você está acompanhando os noticiários sobre a desaceleração dos preços dos imóveis no país? O mercado está mobilizado. Se o seu interesse é na região sul, veja o resultado da pesquisa que a Fipe/Zap divulgou. O Jornal do Comércio, de Porto Alegre, apurou a trajetória de algumas cidades, nos últimos anos; a capital gaúcha ganhou destaque entre outras dessa região do Brasil. Confira o trecho da reportagem sobre os dados registrados. 

Porto Alegre figura entre as cidades avaliadas pelo índice Fipe/Zap – que apura a variação mensal de imóveis anunciados para venda, principalmente, no Portal Zap Imóveis – há pouco tempo, mas já atrai para si atenção maior do que outras localidades do País. A Capital é acompanhada desde junho de 2012, quando começou a traçar um gráfico em constante elevação (como a maior parte dos municípios avaliados). A curva de crescimento daqui, no entanto, durou até janeiro de 2014, quando a trajetória começou a apontar quedas consecutivas – a mais acentuada do mercado imobiliário nacional neste ano.

Observando o cenário como um todo, a tendência é de desaceleração dos preços. Há cinco meses, a variação no valor do metro quadrado está abaixo da inflação no País. Em abril, todos os estados da região Sul apresentaram queda de preços. A cidade de Porto Alegre é a que sofre a maior redução, com variação de -0,37% em fevereiro, -1,07% em março, e -1,35% em abril. Os preços em Curitiba sofreram queda em fevereiro e abril (-0,1% e -0,6%, respectivamente). Já em Florianópolis, a queda ocorreu apenas em abril, com variação de -0,1%.

A desaceleração na região Sul ganhou projeção no mercado, revela o coordenador do Índice Fipe/Zap e mestre em Economia, Eduardo Zylberstajn. O fenômeno, no entanto, não representa perigo ou indica bolha, tranquiliza. “Porto Alegre exibe a maior queda em termos reais, mas não é única com recuo. Aparentemente, os preços perderam o fôlego de alta, e agora a gente parece estar vivendo um momento mais modesto do mercado imobiliário como um todo”, sustenta, lembrando que, apesar da desvalorização, é importante considerar que o índice aponta uma média, sendo que bairros específicos podem apresentar realidade distinta. 

O que justifica a queda acentuada da capital gaúcha é a própria lógica de mercado, revela Zylberstajn. Depois de sofrer variação positiva de 24% entre junho de 2012 e janeiro de 2014, os preços anunciados parecem ter atingido um limite, delimitado pelo bolso do comprador gaúcho. 

Para entender o quanto pode ser alto o valor de um imóvel na Capital, Zylberstajn recorre a uma pesquisa recente do economista Ricardo Amorim, divulgada na semana passada pela revista Exame, que analisou quanto tempo de salário médio é necessário para comprar um imóvel de 90 metros quadrados em várias cidades do País. Enquanto a média mundial é de 10 anos, a média nacional fica em 13,3 anos. O comprador gaúcho, de acordo com o estudo, é o que leva mais tempo para adquirir o imóvel: 20,9 anos. A metodologia leva em conta o preço do metro quadrado local em contrapartida com o salário médio pago na cidade. Já o paulistano depende de 15,1 anos de salário. Em Fortaleza, são necessários quatro anos de salário médio para adquirir um imóvel de 90 metros quadrados.

Outro fator que influencia no cenário porto-alegrense é o número de imóveis à venda, acrescenta Zylberstajn. “Porto Alegre tem 40 mil imóveis anunciados para venda, pouco menos do que o Rio de Janeiro, então, o comprador tem mais opção para barganhar.” 

“O mercado imobiliário é assim mesmo”, diz o o presidente da Associação Brasileira dos Correspondentes de Empréstimo e Financiamento Imobiliário e Afins (Abracefi), Marcelo Prata. “O que determina o valor do imóvel é o quanto as pessoas estão dispostas a pagar.” O cenário de desaceleração revelaria, na verdade, acomodação natural dos preços.

Fonte: Jornal do Comércio/Schimidt

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